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  • Iza Valadão

O custo da sustentabilidade

Atualizado: 19 de Fev de 2019

Estamos vivendo em uma era de notáveis avanços tecnológicos e científicos, criando um imenso campo de possibilidades que se superam e se reinventam a todo instante. No bojo destes avanços tecnológicos está a corretíssima preocupação mundial com a sustentabilidade. Em sintonia com essa preocupação, as energias renováveis experimentaram nos últimos anos um grande crescimento em todas as partes do mundo, gerando um ciclo virtuoso que intensificou o estudo de novas tecnologias e a redução dos custos de implantação.


No Brasil, um país fértil para o desenvolvimento de novas fontes de energia de baixo impacto ambiental, saímos de uma predominância hidrotérmica para um modelo termo-renovável no qual energias renováveis, tais como: hídricas, solares, eólicas e térmicas a biomassa, já representam 81,7% da matriz elétrica, enquanto o mundo tem uma participação média em 2014 era 21,2%.


A energia solar é um exemplo, a cerca de 2 anos foram anunciadas a construção das primeiras plantas fotovoltaicas no Brasil com custo médio de 80 USD/MWh, naquela época um grande avanço em relação aos custos anunciados no resto do mundo. De lá para cá muitos passos foram dados, nos quais países vizinhos como Chile e México desenvolveram usinas com custo de 30 USD/MWh, posteriormente a cidade de Abu Dabi (capital dos Emirados Árabes Unidos) foi o novo recordista com o preço de 21 USD/MWh, esta semana o México anunciou que o Grupo italiano Enel construirá uma usina fotovoltaica de 17 USD/MWh naquele país.


Países como a Suécia e Noruega têm experimentado a construção de usinas eólicas com custos em torno de 30 USD/MWh. A China, grande exemplo mundial de uso de combustíveis fósseis na matriz energética, mostra grande apetite para a alteração deste quadro e anunciou esta semana a implantação de um parque de geração de energia que combina fonte solar e eólica para produção de energia 24 horas por dia ao custo de 17USD/MWh. Entretanto aqui no Brasil o custo desta fonte ainda supera os 50 USD/MWh apesar de termos “ventos” muito mais favoráveis.


Infelizmente diagnosticamos que: apesar de abundante em matéria prima para a produção de energias renováveis, como vento e o sol, o custo do imposto na cadeia de construção brasileira, o baixo incentivo à melhoria tecnológica da indústria local e a insegurança político-regulatória, faz com que apesar de sermos um dos melhores países para implantação de usinas solares e eólicas, dada a qualidade e a diversidade de recursos, nosso país não consegue ser competitivo em detrimento do que está acontecendo no resto do planeta e assim contribuir para a sustentabilidade mundial.


As energias renováveis já são uma realidade, limpa e economicamente sustentável mundialmente, a tecnologia e a produção em escala fazem com que estas fontes consigam competir com os combustíveis fósseis sem a necessidade de incentivos governamentais. O Brasil precisa estudar os modelos internacionais e rever suas formas de alavancar a cadeia de produção energética para que o potencial nacional seja explorado em plenitude.


Autor: M.Sc. Marcela Jacob






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